O PRIMEIRO DE ABRIL
Lembro-me como se
fosse hoje. Tinha dez anos de idade e vi os tanques e os soldados nas
ruas.
A população
estava atônita.
Os que eram contra
os militares fugiam.
Abriguei-me na casa
de um tio, com minha família.
Depois de alguns
meses meu pai foi obrigado a se aposentar, por ser simpatizante do
Partido Comunista.
A vida voltou à
rotina.
Nos anos seguintes
assisti aos protestos de estudantes pela morte do jovem Edson.
Fui impedido de
assumir cargos públicos, por concurso, em virtude da minha
ascendência.
Hoje, depois de
passados quarenta e nove anos do primeiro de abril, cada vez me
convenço mais
do acerto das
ideias de esquerda.
E, sigo acreditando
na justiça social.
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